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Janeiro
2009
Neste número

Editorial
 
Agenda cultural

Notícias

Cool: Night Hotel NY

Design: Fontana Park

Hotel de neve: La Pleta

Roteiro: Cidade do Cabo

Travel

Viagem: Jamaica

Diálogo: Ricardo Moita

Quintessência: Above+Beyond

Design Banking: Barclays Landmark

Preview: BTL 2009

Arte: Espaço Groupama.ARTE

Arte: Arte Lisboa

Gourmet: Olivier

Gourmet: Nobu

Trends: Meninadesign e Boca do Lobo

Observatório: Casa da Música

Happy Hour: Playboy Club

Urban Escape: Medithai

Bem-vindo a bordo: Costa Victoria

Companheiro de viagem

Spa: Caudalíe Vinothérapie Spa The Plaza New York

Na estrada: Peugeot 4007

Moto: Honda DN - 01

Social: cozinha israelita

Social: Vila Sol Golf Challenge’08

Social: Embaixador do Reino Unido no Lisbon International Club

Social: “Prospects for the New U.S. Administration” em debate no Hotel Sheraton

Social: Embaixador dos Estados Unidos da América no American Club of Lisbon

High Tech

Diálogo
Ricardo Moita
 O futuro está na economia de baixo carbono

O paradigma está lançado. O futuro das economias mundiais reside na economia de baixo carbono. Investidores, empresas e consumidores procuram produtos ambientalmente sustentáveis. No mercado português apareceu, entretanto, uma empresa ligada à mudança de paradigma, a Ecoprogresso. E, por mais estranho que possa parecer, esta companhia, especialista na gestão de energia e gestão do carbono, aproveitou o contexto para criar um novo paradigma de negócio. Numa conversa com Ricardo Moita CEO da Ecoprogresso ficámos a saber como.

Ricardo Moita, Gonçalo Cavalheiro, Pedro Martins Barata e a Fomentinvest criaram a Ecoprogresso, uma consultora especializada nas alterações climáticas. Até aqui nada de especial se esta companhia não se assumisse rapidamente como um sucesso dentro da sua especialidade. Tornou-se advisory de fundos de investimento em projectos de carbono e evoluiu até à compensação voluntária de emissões. Ou seja, algo que era nefasto para o ambiente e para as economias tornou-se negócio depois de encontrada uma solução. Na verdade, depois das questões ambientais assumirem o papel nuclear das agendas políticas em todo o mundo, o carbono transformou-se numa commoditie, ou seja, num activo que pode ser trocado, comprado/vendido ou compensado e tudo a passar--se nos maiores mercados mundiais. O carbono passou a ser tão relevante como a transacção de petróleo, de gás natural, de açúcar, de gado ou de café. Para potenciar este negócio do futuro, a Nyse Euronext (entidade que entre outros activos, detém a Bolsa de Valores de Lisboa) e os franceses da CDC Caísse des Dépots criaram a Bluenext, a maior bolsa mundial de activos ambientais.
O negócio estava lançado, assim como os princípios subjacentes a este mercado que quer, afinal e simplesmente, reduzir as emissões de Gases com Efeito Estufa, os GEE.
A Ecoprogresso foi a entidade escolhida para o aconselhamento ao nível do investimento do primeiro fundo português privado de carbono, o Luso Carbon Fund, e do primeiro fundo português com investimento directo em energias renováveis, o New Energy Fund. O paradigma de alteração aconteceu com o comércio europeu de licenças de emissão, tendo decorrido a 1.ª fase entre 2005 e 2007, e a 2.ª fase arrancado em 2008, indo até 2012. Em cada uma destas fases foram atribuídas aos operadores europeus, concretamente às empresas emissoras de carbono, licenças de carbono que representam os limites de emissão de Gases com Efeito Estufa que cada um pode emitir. A alteração do paradigma energético começou com a redução em cerca de 20 por cento do número de licenças atribuídas aos Estados-membros. A passagem de paradigma a negócio está no facto dos analistas e dos players da indústria europeia considerarem que nesta 2.ª fase haverá um défice de licenças, o que vai obrigar a compras e vendas de licenças. Na Ecoprogresso acredita-se que o valor da tonelada de carbono gerado que está a transaccionar nos 20 euros, poderá a médio e longo prazo, atingir valores acima dos 25 euros a tonelada.
Como entende a Ecoprogresso a evolução do paradigma da alteração climática?
O protocolo de Quioto não é a solução do problema, é um pequeno passo na direcção do problema. A questão de fundo quando falamos de alterações climáticas e de economia do carbono, é a alteração do paradigma energético da economia mundial.
Como se conseguirá atingir esse objectivo?
Quando se começou a negociar a questão climática e as suas consequências futuras, a União Europeia defendia o modelo das directivas centralizadas, com regulamentações e regras estritas. No decurso de múltiplas negociações acabou por surgir uma alternativa consubstanciada no Protocolo de Quioto. Era algo diferente, era uma arquitectura assinada pelos EUA, um país que, mesmo assim, ainda não ratificou a convenção. O modelo passava não por criar um sistema de regras, mas algo que tem muito mais a ver com a forma como a maioria dos norte-americanos pensam, para além de ter a ver com a sua economia. A solução final foi a criação do mercado, permitindo, desta forma, ir à procura das soluções custos/eficácia. Esta é a filosofia que está por detrás do modelo de Quioto. Se funciona, ou não, é outro assunto.
Mas qual é o objectivo dos países envolvidos neste processo?
Claramente, o objectivo de médio e longo prazo de todo este esforço político e económico é, exactamente, uma alteração do paradigma energético. Estamos a fazer um desvio de um paradigma baseado em energia muito barata, para algo em que se tem de trazer para dentro da economia uma série de externalidades. Se estiver a queimar carvão e a colocá-lo na atmosfera, isto irá ter impacto em áreas como a saúde, as questões climáticas, a poluição e acaba-se por pagar essa externalidade. Logo, ou se paga quando se respira ou se internalizam esses custos na actividade económica