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O
paradigma está lançado. O futuro das economias mundiais reside
na economia de baixo carbono. Investidores, empresas e
consumidores procuram produtos ambientalmente sustentáveis. No
mercado português apareceu, entretanto, uma empresa ligada à
mudança de paradigma, a Ecoprogresso. E, por mais estranho que
possa parecer, esta companhia, especialista na gestão de energia
e gestão do carbono, aproveitou o contexto para criar um novo
paradigma de negócio. Numa conversa com Ricardo Moita CEO da
Ecoprogresso ficámos a saber como.
Ricardo Moita, Gonçalo Cavalheiro,
Pedro Martins Barata e a Fomentinvest criaram a Ecoprogresso,
uma consultora especializada nas alterações climáticas. Até aqui
nada de especial se esta companhia não se assumisse rapidamente
como um sucesso dentro da sua especialidade. Tornou-se advisory
de fundos de investimento em projectos de carbono e evoluiu até
à compensação voluntária de emissões. Ou seja, algo que era
nefasto para o ambiente e para as economias tornou-se negócio
depois de encontrada uma solução. Na verdade, depois das
questões ambientais assumirem o papel nuclear das agendas
políticas em todo o mundo, o carbono transformou-se numa
commoditie, ou seja, num activo que pode ser trocado,
comprado/vendido ou compensado e tudo a passar--se nos maiores
mercados mundiais. O carbono passou a ser tão relevante como a
transacção de petróleo, de gás natural, de açúcar, de gado ou de
café. Para potenciar este negócio do futuro, a Nyse Euronext
(entidade que entre outros activos, detém a Bolsa de Valores de
Lisboa) e os franceses da CDC Caísse des Dépots criaram a
Bluenext, a maior bolsa mundial de activos ambientais.
O negócio estava lançado, assim como os princípios subjacentes a
este mercado que quer, afinal e simplesmente, reduzir as
emissões de Gases com Efeito Estufa, os GEE.
A Ecoprogresso foi a entidade escolhida para o aconselhamento ao
nível do investimento do primeiro fundo português privado de
carbono, o Luso Carbon Fund, e do primeiro fundo português com
investimento directo em energias renováveis, o New Energy Fund.
O paradigma de alteração aconteceu com o comércio europeu de
licenças de emissão, tendo decorrido a 1.ª fase entre 2005 e
2007, e a 2.ª fase arrancado em 2008, indo até 2012. Em cada uma
destas fases foram atribuídas aos operadores europeus,
concretamente às empresas emissoras de carbono, licenças de
carbono que representam os limites de emissão de Gases com
Efeito Estufa que cada um pode emitir. A alteração do paradigma
energético
começou com a redução em cerca de 20 por cento do número de
licenças atribuídas aos Estados-membros. A passagem de paradigma
a negócio está no facto dos analistas e dos players da indústria
europeia considerarem que nesta 2.ª fase haverá um défice de
licenças, o que vai obrigar a compras e vendas de licenças. Na
Ecoprogresso acredita-se que o valor da tonelada de carbono
gerado que está a transaccionar nos 20 euros, poderá a médio e
longo prazo, atingir valores acima dos 25 euros a tonelada.
Como entende a Ecoprogresso a evolução do paradigma da
alteração climática?
O protocolo de Quioto não é a solução do problema, é um pequeno
passo na direcção do problema. A questão de fundo quando falamos
de alterações climáticas e de economia do carbono, é a alteração
do paradigma energético da economia mundial.
Como se conseguirá atingir esse objectivo?
Quando se começou a negociar a questão climática e as suas
consequências futuras, a União Europeia defendia o modelo das
directivas centralizadas, com regulamentações e regras estritas.
No decurso de múltiplas negociações acabou por surgir uma
alternativa consubstanciada no Protocolo de Quioto. Era algo
diferente, era uma arquitectura assinada pelos EUA, um país que,
mesmo assim, ainda não ratificou a convenção. O modelo passava
não por criar um sistema de regras, mas algo que tem muito mais
a ver com a forma como a maioria dos norte-americanos pensam,
para além de ter a ver com a sua economia. A solução final foi a
criação do mercado, permitindo, desta forma, ir à procura das
soluções custos/eficácia. Esta é a filosofia que está por detrás
do modelo de Quioto. Se funciona, ou não, é outro assunto.
Mas qual é o objectivo dos países envolvidos neste processo?
Claramente, o objectivo de médio e longo prazo de todo este
esforço político e económico é, exactamente, uma alteração do
paradigma energético. Estamos a fazer um desvio de um paradigma
baseado em energia muito barata, para algo em que se tem de
trazer para dentro da economia uma série de externalidades. Se
estiver a queimar carvão e a colocá-lo na atmosfera, isto irá
ter impacto em áreas como a saúde, as questões climáticas, a
poluição e acaba-se por pagar essa externalidade. Logo, ou se
paga quando se respira ou se internalizam esses custos na
actividade económica
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