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Principal
responsável pelo sucesso da empresa Highground Capital, Peter N.
Goldsmith tem aquilo que podemos apelidar de “visão de lince”,
Ou seja, nada lhe passa despercebido, muito menos uma boa
ocasião de negócio. Foi exactamente essa sensibilidade extrema
na escolha do investimento certo que o levou a olhar para o
leste da Europa sob outro prisma, aquele que vendo o futuro não
deixa escapar nenhuma oportunidade no presente.
Pode falar um pouco acerca de si
próprio para que as pessoas possam saber quem é Peter Goldsmith?
Há 40 anos que desenvolvo a minha actividade no sector
imobiliário e, além disso, pouco mais fiz. Na realidade, a única
profissão que desempenhei antes de entrar para o negócio
imobiliário foi a de contabilista, no entanto, quando tinha 20
anos de idade decidi que não era aquilo que queria fazer no
futuro e mudei para o sector imobiliário, no qual estou desde
então. Trabalhei nalgumas empresas de renome mundial e em 1970
criei a minha própria empresa, a Sinclair Goldsmith; em 1987
tive a sorte de conseguir cotá-la na Bolsa de Londres. Apenas
três empresas do ramo conseguiram fazê-lo. Em 1993 fundi a minha
empresa com uma empresa maior, chamada Conrad Ritblat. Fui
nomeado director executivo desse grupo maior, tendo permanecido
no cargo durante alguns anos até me retirar, o que aconteceu há
cerca de uma década, para me dedicar aos meus próprios projectos
imobiliários. Desempenhei ainda funções como consultor e como
director executivo em diversas empresas.
E
foi influenciado pela sua família?
De modo algum, não houve nenhuma influência por parte da minha
família, a não ser, talvez, a minha falecida mãe que incutiu em
mim as vantagens de ser um profissional. Portanto, desde que eu
fosse advogado, contabilista ou, talvez, perito, ela ficaria
feliz. Mostrava sempre uma enorme preocupação em relação à
possibilidade de eu entrar para o mundo dos negócios o que, na
opinião dela, era algo muito precário. Por isso, quando
inicialmente enveredei pela contabilidade ficou radiante. Já não
ficou tão contente quando mudei para o sector imobiliário. Mas,
felizmente, consegui dar provas do meu sucesso antes de ela
falecer, por isso creio que, desse ponto de vista, ela morreu
feliz.
Como interpreta a prevalecente crise financeira e económica?
Bom, esta é a minha quarta recessão. Cada recessão tem
características próprias. Podemos apontar diferentes
circunstâncias que podem conduzir a elas. A da década de 70, por
exemplo, foi causada, indirectamente, pelo petróleo. A recessão
maior, no início da década de 90 foi, sobretudo, uma
consequência de projectos imobiliários excessivamente
exuberantes, facto que se ficou a dever à desregulamentação que
reinou em Londres durante o governo Thatcher; e, antes disso,
houve ainda duas outras recessões menores. No entanto, a
recessão actual, por estranho que pareça, não tem muito a ver
com o sector imobiliário. Este foi palco de uma animada
actividade de concessão e de obtenção de empréstimos junto da
banca, tendo prosperado imenso em consequência disso, mas a
crise no sector não foi devido a essas circunstâncias, resultou
antes da ganância dos bancos que não tinham qualquer problema em
emprestar demasiado dinheiro às pessoas para que comprassem,
principalmente, imóveis.
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Como se define: Como um homem de negócios que
compreende o lucro, uma definição literal.
Livro: São tantos! Leio bastante, existem
tantos que nem sei por onde começar. Talvez os
livros onde fui buscar a minha maior inspiração
foram as Obras Completas de Winston F. Churchill
que, em última análise, é o meu grande herói. Era um
homem espantoso.
Filme: O Clube dos Poetas Mortos
Hotel: São demasiados para poder dizer. Que
me tenha marcado… Tenho passado umas temporadas
excelentes em Saint Tropez, no Verão, passei tempos
estupendos no Dubai, não gostaria de lá viver, mas é
um excelente país para passar férias, especialmente
o tipo de férias de que gosto, com um sol
infindável, boa comida e tudo mais.
Viagem de sonho: Vou-lhe contar as melhores
férias que já tive em toda a minha vida e que, até
certo ponto não foram sequer férias. Há cerca de 17
anos participei numa viagem organizada ao deserto do
Negev e que tinha como objectivo a angariação de
fundos para beneficência; éramos 18 pessoas e,
provavelmente, nunca me diverti tanto como nessa
viagem. O Deserto do Negev fica entre o Egipto e
Israel. Foi fantástico. Foram as férias mais
purificantes que tive em toda a minha vida.
Extravagância: Talvez gaste mais dinheiro em
roupa de marca do que devia, mas prefiro a qualidade
à quantidade e concluí ao longo dos anos, que acaba
por ser mais vantajoso… |
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